A redescoberta do feito à mão

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Recentemente a febre dos livros de colorir dominou as redes sociais, começando com o sucesso do “Jardim Secreto: Livro de Colorir e Caça ao Tesouro Antiestresse”, de Johanna Basford. Como stress é o que não falta em nossa vida corrida e tecnológica, a publicação virou hit e reascendeu nas pessoas o prazer de colorir, que para muitos ficou esquecido na infância.

Eu nunca abandonei meus lápis de cor e ando sempre em busca do que fazer com minhas mãos. Sinto que nessa era virtual só usamos nossos dedos para clicar e digitar. Fotos são digitais, cartas (e até e-mails) foram substituídas pelo WhatsApp, e grande parte de nossa experiência de mundo é mediada por computadores e celulares.

Não estou sozinha nessa procura pelo concreto e tenho observado com alegria o renascimento do feito à mão por aí. Aos lápis de cor se juntam agulhas, linhas, tintas e pincéis, máquinas de escrever e de costura, fotografias, desenhos e pinturas. É um exercício antiestresse e um estímulo à criatividade, uma forma de expressão pessoal e também de reconquista do espaço físico, que há anos vem sendo renegado ao segundo plano à medida em que ficamos mais e mais conectados à telas e gadgets.

Entre as coisas que me dão maior prazer estão as cartas e poemas que datilografo na minha máquina de escrever. Há quem chame de perda de tempo, há quem chame de “coisa de hipster” (outro dia uma amiga disse que as máquinas antigas eram ótimas, mas só como itens de decoração). Mas a opinião dos outros não importa, e sim como me sinto segurando aquelas palavras tão bonitas em minhas mãos, como o barulhinho das teclas me acalma, como a concentração necessária pela ausência da tecla “delete” exige que eu esteja presente o tempo inteiro, muito mais do que estaria se escrevesse à frente do computador com suas infinitas distrações.

Minha nova obsessão é a máquina de costura. Ainda estou engatinhando, aprendendo aos poucos como transformar o pano em saias, blusas e calças – a roupa sonhada em roupa vestida. Minhas primeiras tentativas foram fantasias de carnaval e a alegria que senti ao segurar aquelas peças de faz de conta me surpreendeu.

Também me arrisco com desenho e pintura em aquarela (me falta talento, me sobra vontade de aprender e amor pelas cores) e me divirto procurando inspiração para tudo no Tumblr e Pinterest.

E vocês? Vão entrar nessa?

Do blog Serendipity

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