O ritual de escrita de grandes autores: Como eles conseguem?

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É engraçado como a vida acontece. Estamos sempre dizendo que não temos tempo para fazer o que a gente quer. Sobra trabalho, sobra cansaço, sobram responsabilidades urgentes e falta tempo. Mas será que é isso mesmo? Na minha biografia no twitter, o segundo item é escritora (o primeiro é feminista, porque, né?, anda sendo necessário), mas por vezes vejo essa parte de mim ser renegada a segundo, terceiro, quarto plano… Ando ocupada, mas se dá para ver Sex and the City*, por que não dá para escrever?

Pensando nesse dilema, decidi pesquisar o processo de criação de autores de peso. O que eles fazem para conseguir encher páginas e mais páginas de palavras que serão amadas por nós na forma de livros? Vamos ver?

Vladimir Nobokov

Vladmir Nabokov escrevendo

Nabokov e seu cartão Bristol – prefiro meu Mac + bloco de notas

“Meu horário é flexível, mas não abro mão de meus instrumentos: cartões Bristol e lápis bem apontados, com borracha, nem tão duros nem tão macios”.

Stephen King

Stephen King escrevendo

Stephen King no meio de sua bagunça organizada

“Tem algumas coisas que faço quando me sento para escrever. Eu tomo um copo de água ou uma xícara de chá. Eu me sento em um determinado horário, entre 8h e 8h30, sempre nesse espaço de meia hora, toda manhã. Eu tomo minhas vitaminas e ouço música, me sento no mesmo lugar e os papéis ficam organizados no mesmo lugar. O objetivo cumulativo de fazer as mesmas coisas do mesmo jeito todos os dias me parece um jeito de dizer à minha mente, você vai começar a sonhar logo logo.”

William Faulkner

William Faulkner em seu escritório

Faulkner e seu cachimbo no intervalo entre beber e escrever

Sherwood Anderson, escritor de Louisiana, relembra o tempo em que passou com Faulkner:

“Nós nos encontrávamos à noite e íamos beber e conversar até uma, duas horas da manhã, sempre eu ouvindo e ele falando. Depois, de manhã ele geralmente ficava recluso, trabalhando, e a próxima vez que eu o via, a mesma coisa, nos passávamos a tarde e a noite juntos, e na manhã seguinte ele estaria trabalhando. Foi então que pensei: se é isso o que é ser escritor, essa é a vida que eu quero pra mim.”

Truman Capote

Truman Capote Deitado

Truman Capote, o escritor horizontal

“Eu sou um autor completamente horizontal. Eu não consigo pensar a não ser que eu esteja na cama ou esticado em um sofá com um cigarro ou café em mãos. Eu tenho que estar soltando fumaça ou bebendo. À medida em que a tarde vai passando, eu mudo do café para o chá de menta, para o sherry ou os martinis. Não, eu não uso uma máquina de escrever. Não no começo. Eu escrevo minha primeira versão à caneta. Depois eu completo a revisão, também à caneta.”

Não parece haver uma constante para a escrita, mas diferentes rituais – já está na hora de encontrar o meu!

*As meninas do escritório praticamente me pregaram em uma cruz quando disse que nunca havia assistido SATC. Aparentemente, para se trabalhar com moda é preciso ser íntima da Carrie Bradshaw!

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