Vegetariano também é gente

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Acabei de ter um “pesadelo”. Estava em um casamento com estação de pizza (sabe como agora é moda eventos com estação de macarrão, estação de crepe, etc? Então), pedi uma vegetariana e o pizzaiolo jogou bacon. Repeti que queria sem carne e ele respondeu “Ué, bacon também não pode?”. Comecei a discutir e fiquei tão estressada que acordei.

Parece exagero, mas não é. Já fui vegetariana por um tempo durante a faculdade, mais precisamente na Fafich, essa ilha da esquerda festiva recheada de pessoas “alternativas” onde passava a maior parte do meu dia, e só quando retomei esse estilo de vida no início do ano comecei a ver o quanto a sociedade ocidental fora do mundinho acadêmico deixa a nossa vida mais difícil.

Vou explicar. Eu (ainda) não sou vegana (pessoas que não comem nenhum produto derivado de animais, incluindo leite, queijo, ovos e mel, entre outros), o que significa que minha alimentação não é nada limitada. Eu como de tudo, de tudo mesmo, menos carne. Se eu for almoçar na sua casa não vou exigir que você prepare algo vegetariano (ou vou levar marmita), vou simplesmente colocar no meu prato tudo o que não for carne e comer feliz (precisamos substituir a carne por outras formas de proteína, mas não precisamos fazer isso em todas as refeições). Eu não faço carinha de nojo em churrasco e não tento convencer ninguém a ser vegetariano comigo, mas as pessoas não me deixam ser vegetariana em paz.

Tomei essa decisão por vários motivos que explicarei mais pra frente, mas só os falo quando alguém pergunta diretamente. Depois da minha explicação, é raro quem fale “Ok”. Geralmente as reações vão de “Nossa que bobeira” a “Mas Deus fala na Bíblia que os animais foram criados para estar à nossa disposição”. Sério gente, isso acontece. E aí eu me pergunto, por quê? Por que não deixar a Laryssa, ou a Paula, ou o Marcelo serem vegetarianos em paz? No mínimo é melhor pra vocês, carnívoros, sobra mais bife! 

Há alguns anos, conversando com uma indiana de passagem pelo Brasil, fiquei rindo da indignação dela com a ausência de opções vegetarianas em restaurantes comuns, ela falava “Tudo aqui tem carne, mesmo quando eles falam que não tem. E onde estão os vegetais? Um país rico desse, em que tudo cresce e floresce, e as saladas só têm alface?”. Foi engraçado, mas me fez pensar. Ela vinha de um país onde vacas são sagradas e onde 500 milhões dos mais de 1.2 bilhões de habitantes são vegetarianos. Sim, a Índia tem mais vegetarianos que o mundo inteiro junto. O que significa que até redes internacionais carnívoras como KFC e McDonalds têm opções meat-free no cardápio.

“E daí?”, você pensa, querido leitor, e daí que a Índia está aí pra mostrar que o vegetarianismo não é “coisa de hippie”, ou “coisa de doido”, mas um estilo de vida válido e adotado por milhões de pessoas ao redor do mundo. Eu acredito que o planeta Terra seria muito mais sustentável se as pessoas mudassem a forma como consomem carne. Eu também acredito que ser vegetariano não faz de você uma pessoa melhor que um carnívoro (Hitler passou os últimos anos de sua vida como vegetariano e era notório por seu amor aos animais, principalmente seus cachorros). E, no fim das contas, cada um faz o que quer da sua vida e da sua dieta.

Então, da próxima vez que você encontrar um amigo não-carnívoro, faça perguntas se estiver curioso, mas não o ridicularize e nem fique balançando um pedaço de carne na frente dele falando “Hummmm que delícia”.

 

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